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Todo fim/início de ano é a mesma coisa: conteúdos de tendências e previsões de marketing digital e mídias sociais se multiplicam como Gremlins depois do banho.

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Particularmente, tenho muito cuidado com essas previsões. Isso porque embora o marketing digital esteja sempre mudando e evoluindo, algumas coisas demoram mais para acontecer do que nós, profissionais da área, gostaríamos.

Um exemplo são as vendas feitas dentro da plataforma do Facebook. Nós profissionais falamos disso desde 2011. Inclusive, naquele ano, participei do lançamento da primeira “F-Store” de vinhos do mundo, na Wine.com.br. Sim, não é à toa que a Wine é uma das empresas mais inovadoras do Brasil.

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Loja Wine Facebook

Loja Wine no Facebook

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Mas a loja foi um fracasso de vendas. Por quê? Simples: o consumidor brasileiro ainda não tinha confiança e familiaridade suficiente na plataforma do Facebook para realizar compras ali dentro.

Além disso, embora tenhamos tomado muito cuidado para proporcionar a melhor experiência possível para o cliente na F-Store, ainda era mais simples para o cliente fazer a compra no site da Wine.

O F-Commerce real começou a acontecer recentemente, em 2016, cinco anos depois da nossa experiência. E agora o Facebook vem lançando funcionalidades nativas que permitem pagamentos e envio de recibos dentro da plataforma – algumas delas ainda nem chegaram no Brasil.

Por isso, novamente reforço, é preciso ter cuidado com essas previsões. Porque simplesmente muitas vezes os especialistas têm uma certa “miopia”: veem o futuro chegando antes mesmo do que a maioria do empresariado.

Dê uma olhada na imagem abaixo. Ela foi publicada pelo Edney “Interney” Souza e republicada no nosso Instagram, e traz as ferramentas nas quais os frequentadores da Social Media Week São Paulo irão investir mais em 2018 versus as que os palestrantes entendem como tendências.

Percebe? O Facebook nem aparece como opção para os especialistas/palestrantes, mas para quem esteve no evento, para quem realmente trabalha nas empresas, o Facebook e o Instagram ainda são as duas primeiras opções!

Clique e veja o infográfico completo – e o tamanho das disparidades.

Acho que deixei claro aqui o cuidado que precisamos ter ao analisar as tendências. Se o seu intuito é a disrupção, sair na frente, inovar, então sim, esteja ligado em Machine-Learning, Realidade Virtual, Big Data e todas as grandes tendências que estamos vendo os profissionais lá fora falarem!

Porém, se você se preocupa com resultados em um médio prazo, com equilíbrio entre inovação e resultados de negócio HOJE, vá com calma. Preocupe-se em fazer o feijão com arroz bem feito. Preocupe-se com os fundamentos do marketing e da comunicação, em construir a sua marca, em construir a sua base de prospects, leads e clientes, em atender e se relacionar bem com o cliente.

Estamos entendidos?

Beleza, então agora vamos falar das tendências para 2018 propriamente ditas!

O site americano Social Media Examiner fez uma lista com mais de 30 previsões com diversos especialistas. Lógico que muitas delas são tendências para o mercado americano.

Então fiz questão de traduzir e falar um pouco aqui daquelas que entendo que acontecerão também no Brasil. Vamos lá?

 

#1 Custos crescentes de Facebook Ads chegaram para ficar

Por Loren Bartley, especialista em social media e produtora do podcast #BusinessAddicts

Loren BartleyVamos falar disso novamente no nosso próximo post aqui no Midiamorfose – e até já tocamos no assunto em um post recente. Sim, os custos de anúncios no Facebook e Instagram irão crescer consideravelmente, e essa é uma tendência que se repetirá ao longo dos próximos anos. Com mais anunciantes chegando nas plataformas, os espaços para anunciar se tornam naturalmente mais caros. Um simples exemplo da lei da Oferta e da Demanda.

A melhor forma de se trabalhar agora é investir em anúncios em mídias sociais para gerar consciência de marca para o seu negócio e construir sua base de leads própria (particularmente assinantes de e-mail marketing e Whatsapp).

Isso irá te dar uma vantagem competitiva muito relevante nos próximos anos, muito semelhante à que alguns negócios tiveram ao chegar antes nas redes sociais e construir suas audiências aproveitando o alcance orgânico.

 

#2 Instagram ganha terreno como principal escolha das marcas

Por Brooke B. Sellas, CEO da B Squared Media

Brooke B. SellasO Instagram está crescendo muito rápido entre os negócios – 70,7% das empresas americanas usaram o Instagram em 2017, quase o dobro do número de empresas em 2016. Além disso, 80% das contas ativas no app seguem pelo menos uma empresa.

As micro empresas brasileiras também já perceberam que os resultados orgânicos chegam mais facilmente no Instagram do que no Facebook. Em todas as turmas em que eu, Diana, dei aula em 2017, os alunos tocavam neste assunto e queriam aprender melhor como trabalhar tanto no Instagram quanto no YouTube.

Além disso, o Instagram vem liberando funcionalidades interessantes para negócios, como o perfil comercial e os Destaques no Stories, que são aquelas que não têm limite de tempo para ficarem online, e que ficam em destaque no perfil da empresa.

Enquanto o Facebook vem lidando com questões de saturação de anúncios, o Instagram também vem ganhando destaque nessa área, com custos normalmente menores. Um ponto crucial para anunciantes, no entanto, é a velocidade e a experiência do usuário nos sites mobile.

 

#3 O crescimento do LinkedIn Ads

Por Azriel Ratz, CEO da Ratz Pack Media.

Azriel RatzO uso do LinkedIn no Brasil se estabilizou nos últimos 2 anos no Brasil, se provando uma rede social de nicho extremamente relevante. A plataforma também tem feito alguns movimentos interessantes, como adicionar a publicação de vídeos nativos para perfis de usuários e testar filtros de geolocalização, por exemplo.

Somado a isso, por ser uma rede social específica para a área profissional, o valor de seus usuários é alto para aquelas empresas que buscam se conectar com profissionais acima de 35 anos, em cargos altos e que trabalham em negócios maiores. Embora os custos por clique sejam bem mais altos do que em outras plataformas, é o valor desses usuários, além das possibilidades de segmentação que tornam o LinkedIn Ads interessante para os planejamentos de 2018.

Por fim, a liberação de anúncios em vídeo já está nos planos do LinkedIn para este ano. Sem dúvida alguma, é uma rede social para se prestar atenção se o seu negócio é B2B (business-to-business).

 

#4 CEOs adotam a presença em mídias sociais

Por Samantha Kelly, estrategista de mídias sociais

Samantha KellyJá não é possível para um CEO ignorar as mídias sociais. Eles se tornarão os maiores responsáveis pelo marketing do negócio ao se engajarem com os consumidores e parceiros mais regularmente, mostrando o que há nos bastidores e no lado humano da empresa.

Samantha acredita que, além disso, o Twitter será muito relevante para isso. Já eu, Diana, aposto minhas fichas aqui no Brasil no LinkedIn, especialmente nas publicações do LinkedIn Pulse.

 

#5 Vídeos nas Mídias Sociais se tornam essenciais

Por Carmen Collins, estrategista de social media da equipe da Cisco

Carmen CollinsPara Carmen, a resposta para a pergunta “como as mídias sociais irão mudar em 2018” é: live video, produção de vídeos, Snapchat vídeos, Instagram vídeos e YouTube vídeos. Se você não contemplar vídeos no seu mix de conteúdos em quase todos os canais de mídias sociais, você vai perder muito naquela nova métrica chamada “Dwell”, ou “thumb-stopping”. Traduzindo, aquela pausa que o usuário faz ao ver um conteúdo em vídeo interessante quando está deslizando o feed em busca de novidades.

E criar vídeos não será suficiente. Você precisa descobrir como adaptar o conteúdo em vídeo para cada canal para conseguir o máximo de exposição. Ou seja: entender que as redes sociais e suas dinâmicas de interação são diferentes, e que não adianta pedir ao usuário do Instagram que clique no botão “Inscreva-se” no lado esquerdo do vídeo. 😉

 

#6 As Stories em Destaque melhorarão a qualidade do conteúdo no Instagram

Por Melanie Deziel, estrategista de branded content

Melanie DezielToda vez que uma plataforma lança uma nova funcionalidade, precisamos ficar ligados nas formas criativas como as marcas passarão a usá-las.

As Histórias em Destaque no Instagram, que ficam no perfil por quanto tempo a marca quiser, se tornarão mais bem produzidas. Além disso, veremos ali mais conteúdos “evergreen”, ou seja, aqueles que não têm um “prazo de expiração”, e que têm o mesmo valor hoje ou daqui a alguns meses ou anos.

 

#7 As plataformas mais bem-sucedidas serão aquelas que focarem no usuário e não nos anunciantes

Por Cassie Roma, gerente de content marketing na New Zealand Media & Entertainment

Cassie RomaEmpresas podem sim ser grandes produtoras de conteúdo e bons anúncios e campanhas, mas a verdadeira força dos canais sociais está no sentido de comunidade e compartilhamento autêntico.

Em tempos de curadoria feita por algoritmos e machine-learning, cada vez mais fica claro que ninguém está nas redes sociais para ver conteúdos comerciais. Os usuários estão progressivamente se tornando menos abertos para o marketing tradicional, fazendo uso de ad blocks, e em busca de conteúdos interessantes, que sejam divertidos, que informem, e que de preferência, sejam tudo isso junto!

O Facebook já sacou isso há bastante tempo. Os profissionais de marketing é que estão demorando a perceber…

 

#8 Retargeting é essencial para a Jornada do Consumidor

Por Jason Van Orden, consultor e estrategista

Jason Van OrdenCom o aumento exponencial dos custos para ganhar a atenção dos prospects e adquirir novos clientes, as empresas precisam se tornar mais eficientes no uso das mídias sociais e do marketing de conteúdo para guiar o consumidor durante a jornada de compra.

Cada conteúdo precisará ter um papel claro nessa jornada. Isso significa usar o retargeting (técnica usada para impactar novamente um usuário que já teve contato com sua marca e conteúdo) e outras similares para assegurar que o prospect veja a mensagem mais relevante no momento certo, com base em ações anteriores que ele tomou (por exemplo, visitar uma página específica, solicitar um download, clicar, assistir a um vídeo, visualizar um anúncio, etc.).

Para Jason, usar o marketing de conteúdo somente para gerar leads e depois incluí-los em uma sequência automática de emails que os levam para a compra será uma desvantagem em 2018. Ele defende que o marketing bem sucedido será aquele que começará muito antes essa jornada de compra, mesmo antes de adquirir um email ou outra informação de um lead.

Ou seja, aquele marketing que entende que o funil de compras tem uma parte essencial chamada “awareness”, ou consciência de marca.

 

#9 Aumento do Alcance Orgânico do LinkedIn

Por Dennis Yu, CTO da BlitzMetrics

Dennis YuA competição por espaço no LinkedIn é muito pequena em relação à quantidade de tráfego. Além disso, o algoritmo é fraco, o que faz com que vejamos tanta gente compartilhando histórias usando a fórmula da “jornada do herói”. Para Dennis, essa é uma “tempestade perfeita” de uma rede social que está em transição de um site de busca de empregos para uma verdadeira comunidade profissional.

Posts que usam essas técnicas de storytelling costumam ter grande alcance orgânico na rede porque o algoritmo ainda não é tão inteligente. Assim, Dennis aponta algumas dicas para a produção de conteúdos de alta performance no LinkedIn:

  • Apresente uma dificuldade que você já passou e que termina com uma lição positiva, mas tenha cuidado para não reclamar. O algoritmo conta os cliques no “Ver Mais” como engajamento, então é uma boa ideia começar sua história com curiosidade ou drama para atrair a atenção dos leitores;
  • Use parágrafos de uma frase, sem links ou imagens – você tem até 1.300 caracteres para contar essa história. Escreva rapidamente e sem julgamentos; os posts que performam melhor são espontâneos;
  • Coloque a configuração do post para incluir a publicação no Twitter. Você pode publicar em qualquer horário, porque diferente do Twitter ou do Facebook, seu engajamento irá crescer pelos próximos 7-10 dias.
  • Depois da publicação, clique no like e comente no post sempre que possível. O LinkedIn não trata os seus próprios likes, comentários e compartilhamentos diferentemente das outras pessoas.

 

#10 Grupos no Facebook serão a chave para o sucesso

Por Jessika Phillips, fundadora e estrategista de mídias sociais do NOW Marketing Group

Jessika PhillipsPara Jessika, a tendência número 1 em 2018 é o Marketing de Relacionamento. As marcas irão focar em construir conexões mais significativas, especialmente com as audiências atuais.

As empresas precisarão investir em criar grupos feitos sob medida para o seu nicho. Esses grupos serão gerenciados pelas fan pages das marcas, o que fará com que elas possam construir um relacionamento com o seu público-alvo. Jessika defende que isso fará com que as empresas usem o Facebook com dois grandes propósitos: as fan pages servirão como uma introdução ao universo da marca, enquanto os grupos irão encorajar uma conexão mais profunda com a audiência.

Como exemplo, ela cita uma clínica médica focada em bem-estar, que administra um grupo direcionado a corredores que vivem naquela cidade específica. Isso faz com que a clínica consiga reunir pessoas com ideias semelhantes, para mostrar suas especialidades e criar conexões significativas com base no atendimento e relacionamento com esse público.

Para usar os grupos no Facebook, as empresas precisarão de profissionais com perfil de “community manager”, que irão constantemente prover conteúdo de qualidade e estimular a conversação entre os membros do grupo.

 

#11 Co-criação de conteúdo com os consumidores

Por Duncan Wardle, consultor de inovação e design thinking

Duncan WardleMarcas que insistem em usar os canais sociais empurrando conteúdos chatos que apenas se alinham a seus objetivos estratégicos, em vez de engajar e co-produzir conteúdos com seus clientes, irão continuar a perder relevância.

As empresas que adotarem as tendências de crowdsourcing, crowdfunding e a economia do compartilhamento, desenvolvendo tanto conteúdos quanto ideias de produtos e serviços em conjunto com seus consumidores e influenciadores, irão prevalecer.

 

Diana Pádua é consultora especialista em Marketing Digital e professora no MBA em Comunicação e Marketing da UVV – Universidade Vila Velha e nos cursos de Marketing Digital da FEST – UFES. Atuou com consultoria de Mídias Sociais para a Nissan Motor Company, em Curitiba/PR. Também trabalhou em campanha eleitoral de Senador e Presidente (2010), em São Paulo-SP. Trabalhou com mídias sociais e comunicação interna na Wine.com.br durante 4 anos, onde também participou do lançamento da primeira loja de vinhos dentro do Facebook do mundo, a Wine F-Store, em 2011.

 

 

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