Escolha uma Página

Ontem, dia 11 de janeiro de 2018, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg publicou em seu perfil um texto que deixou os profissionais de mídias sociais em polvorosa. Mais uma vez, a rede anunciou uma mudança de algoritmo que irá dar (MAIS) prioridade aos posts de amigos, família e grupos no feed de notícias, deixando menos espaço para páginas comerciais.

Também houve um comunicado no blog do Facebook, publicado por Adam Mosseri, responsável pelo feed de notícias. Nele, Adam diz que o algoritmo agora tentará prever quais posts o usuário quer interagir, posts que inspiram discussões nos comentários.

Páginas não terão o seu alcance zerado. Aquelas que gerarem conversas entre as pessoas também irão aparecer, ainda que menos. Adam cita como exemplo as transmissões ao vivo, que em média geram 6 vezes mais interações do que vídeos regulares. Porém, o Facebook ainda irá combater aqueles posts caça-cliques e que forçam a interação, como anunciado pela rede recentemente.

 

Será que a queda do alcance orgânico no Facebook é tão novidade assim?

O Facebook vem fazendo alterações nesse sentido há pelo menos 3 anos. Nós profissionais já entendemos como o EdgeRank funciona, e que a prioridade dele é sim posts de perfis acima de páginas, e posts que engajam mais sobre aqueles que engajam menos. A diferença é que agora, isso será mais perceptível.

Estêvão Soares, um dos profissionais de marketing digital que mais acompanho e mais recomendo, publicou hoje mesmo no grupo do WhatsApp do #SMXP releases oficiais do Facebook de 2015 e de 2016 dizendo A MESMA COISA que hoje: “estamos priorizando publicações de amigos”.

>> Release de 2015 >> News Feed FYI: Balancing Content from Friends and Pages

>> Release de 2016 >> News Feed FYI: Helping Make Sure You Don’t Miss Stories from Friends

O Facebook é uma rede social. É feita de pessoas. Que, na maioria dos casos, não estão ali pra ver panfletos comerciais, e sim pra interagirem com outras pessoas.

Eu adoro ler conteúdo. Pessoalmente, e ainda não sei como vai ficar esse feed, é provável que eu não vá gostar da alteração – principalmente em ano de eleições. Mas eu represento uma parcela subatômica dos mais de 2 bilhões de usuários do Facebook. Eles tomaram essa decisão em cima de dados de uso.

Isso significa que não podem estar errados? Não. Apenas significa que eles estrategicamente enxergaram que essa possibilidade será melhor para a rede. E nada impede que eles resolvam mudar isso lá na frente, mas não é o movimento que o Facebook demonstra, pelo menos nos últimos 3 anos.

 

A nova missão do Facebook

Em 2017, o Facebook mudou sua missão empresarial. Saíram de “dar às pessoas o poder de compartilhar e tornar o mundo mais aberto e conectado” para Dar às pessoas o poder de criar comunidades e aproximar o mundo”. Foi mais ou menos nessa mesma época em que passamos a ver mais publicações dos grupos que participamos, e também do lançamento dos Grupos para Páginas, que permitem às empresas a criação de grupos para conectar sua base de fãs e clientes.

Lembro que, em 2012, a Wine recebeu o representante do fundo Accel Partners, Kevin Efrusy, justamente um dos primeiros investidores do Facebook. E ele quis falar comigo porque, bem, era eu quem trabalhava com as mídias sociais da empresa. E a principal pergunta que ele me fez, já naquela época, foi “o que você está fazendo para, não fazer a empresa falar com sua base de fãs, mas sim estimular a conversa entre essas pessoas”?

 

Percebe? O foco nunca foi ter um lugar para as marcas chegarem a seus clientes, e sim estimular que as pessoas usem o Facebook como o que ele realmente é, uma rede social.

“Ah, Diana, isso é tudo muito lindo, mas o que o Markinho quer é realmente ganhar dinheiro, né? Ele quer que as páginas invistam em anúncios, isso sim!!!”

Sim, gente! Pra aparecer em qualquer canal, em qualquer meio, as empresas precisam pagar. Por que no Facebook seria diferente? E mais: com cada vez mais anunciantes competindo pelo mesmo espaço publicitário, a realidade é que os custos dos anúncios fiquem mais altos.

Já falei disso aqui, e não sou a única que estou dizendo. Jan Rezab, diretor executivo de uma das melhores ferramentas de Social Intelligence do mundo, a SocialBakers, gravou um vídeo no finzinho de 2017 dizendo que os custos dos anúncios do ano passado aumentaram em média 35% em relação a 2016. E novamente dá a deixa: RELEVÂNCIA é a melhor forma de garantir os melhores resultados (exatamente o que o Zuckerberg disse no post de ontem).

E agora, José?

E você, social media ou empresário, pode fazer o quê? Olha esse post do Fábio Prado Lima, pra mim hoje a maior autoridade em Facebook Ads no Brasil. Minha dica: leia e releia, entenda e adapte-se. Porque você não tem tantas opções assim. Vou até repetir tudo o que ele disse, porque sério, ele foi conciso e perfeito nas colocações.

“Não é questão de se terá diminuição no alcance orgânico ou não, e sim, do quanto cada página terá de redução. Você pode apenas reclamar ou se adaptar, de algumas maneiras:

1) Publicações com poucas reações ou comentários poderão ver os maiores declínios. Seu desafio é ser relevante para sua audiência. Mas atenção: não vale apelar para ter engajamento, como eu falei aqui: fabio.ly/nvdd-fb-2017-12-18

2) Sim, cada vez mais você terá que investir em anúncios para alcançar mais pessoas. Se ainda não anuncia, nunca é tarde para começar. Comece, nem que seja com R$50 por mês, mas comece.

Assim como ter espaço em rádio, jornal e televisão nunca foi de graça, não é um problema pagar para alcançar seu público no Facebook e Instagram de maneira tão precisa, como nenhuma outra mídia permite, para gerar resultados com isso. Vamos considerar que tivemos e ainda teremos algum de alcance de graça, sabendo que pode ser cada vez menor.

Você pode não gostar do fato do alcance orgânico ter caído tanto nos últimos anos. Eu também não gosto. E também creio que poderia ter havido alguma compensação do Facebook para marcas que investiram tanto em captação de fãs no passado. Mas, o fato é que as mudanças ocorreram e, no cenário atual, nenhuma outra rede social oferece todas as possibilidades que temos com o Facebook.

Você tem escolhas.
Você pode reclamar, abandonar o Facebook e pode deixar muito dinheiro em cima da mesa por isso.
Ou você pode se adaptar.

Com tantas mudanças e desafios, ser um bom social media ou analista de mídia não será mais um diferencial, e sim, uma exigência, no qual os melhores continuarão a ter cada vez mais espaço.”

Leia sobre o que é necessário para ser um bom profissional de mídias sociais hoje.

Quero acrescentar um ponto. O fato de que você nunca deve pôr todos os ovos na mesma cesta. Blogs, SEO, base de leads e clientes (email, whatsapp), vídeos, outras redes, são cada vez mais relevantes no MIX de comunicação. Entendo a necessidade de as empresas trabalharem o curto prazo, mas é loucura não trabalharem o longo prazo também (ou principalmente).

 

Por fim, quero falar de Business!

Hoje, as ações do Facebook fecharam em queda, após o anúncio do Zuckerberg (print do Google). Isso representou U$ 2,9 bilhões a menos na conta do Zuckerberg. A fortuna do Markito reduziu para US$ 74,4 bilhões, de acordo com o Índice Bloomberg de Bilionários.

Ações do Facebook em 12/01/2018

Ações do Facebook em 12/01/2018

Só que vamos olhar em um período de tempo maior? Que tal 3 meses?

Ações do Facebook 3 meses 2017

Ações do Facebook nos últimos 3 meses

 

E no último ano?
Ações do Facebook no último ano

Ações do Facebook no último ano

 

UPDATE: SUGESTÃO DO LUCIANO GUIMARÃES

O Luciano deixou o seguinte comentário no meu post no Facebook:

Sobre as Ações do Facebook

Na minha resposta, disse que acabei colocando os gráficos de BDRs porque é muito comum os profissionais nos grupos de social media falando que no Brasil o Facebook está caindo. Como vimos, não está.

Mas vamos então aos gráficos da NASDAQ, pela corretíssima sugestão do Luciano.

Ações Facebook Nasdaq

No gráfico maior, os últimos 3 meses. Nos laterais, a variação diária e a de 1 ano. Novamente, Facebook mostrando que está crescendo, apesar do que muita gente quer fazer a gente acreditar que não.

.

Então, cuidado ao sair “matando” redes sociais por aí. As mudanças representam desafios para empresas e profissionais? Sem dúvida! Mais do que nunca é necessário que nós repensemos a forma como trabalhamos, que nós consigamos entender quem é o nosso público-alvo e o que ele (e não a gente) considera relevante.

Eu não sei você, mas eu sou movida a desafios. Vambora?

 

Diana Pádua é consultora especialista em Marketing Digital e professora no MBA em Comunicação e Marketing da UVV – Universidade Vila Velha e nos cursos de Marketing Digital da FEST – UFES. Atuou com consultoria de Mídias Sociais para a Nissan Motor Company, em Curitiba/PR. Também trabalhou em campanha eleitoral de Senador e Presidente (2010), em São Paulo-SP. Trabalhou com mídias sociais e comunicação interna na Wine.com.br durante 4 anos, onde também participou do lançamento da primeira loja de vinhos dentro do Facebook do mundo, a Wine F-Store, em 2011.

 

 

Shares
Share This