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Ontem, dia 02 de janeiro de 2018, dei uma entrevista para a Record News Espírito Santo, para falar do mercado de trabalho do Marketing Digital e Mídias Sociais, além de quais competências e habilidades um profissional da área precisa ter.

 

Ainda não sei a data exata que a reportagem irá ao ar, mas assim que isso acontecer, eu publico aqui.

Segue o vídeo da entrevista abaixo:

 

Resolvi também escrever aqui e dar minhas opiniões sobre o assunto. Afinal, o que um analista de mídias sociais ou de marketing digital precisa saber para entrar no mercado de trabalho? Como pode se desenvolver e conseguir trabalhos melhores?

O mundo do marketing digital evoluiu muito rápido desde quando comecei a trabalhar com isso, ainda nos anos 2000 – Pronto, entreguei a idade! 😛

Naquela época, somente algumas empresas visionárias estavam começando a dar os primeiros passos no digital. Tinham ali uma conta no Twitter e um perfil no Orkut, algumas tinham comunidade também. No Espírito Santo, na época, tinha apenas 2 agências digitais – eu estagiava em uma delas.

O Flash reinava nos sites! Quanto mais animado, cheio de fru-fru e “interatividade”, melhor! Mesmo que a interatividade fosse dar com o mouse na cabeça do mascote do site pra ele ficar nervosinho (juro, esse era o site de uma agência gringa!).

Nem YouTube existia ainda! Os vídeos viralizavam POR EMAIL, e a gente demorava hoooooras pra baixar cada episódio do Bátima Feira da Fruta!

As empresas, bem, elas tinham sites e hotsites. Ou sites institucionais chaaaatos, ou hotsites cheios dessa interação sem muito propósito. E as pessoas (pelo menos aquelas mais heavy-users) tinham blogs pessoais.

Quando o Orkut começou a bombar no Brasil, aí começamos a ver as primeiras agências e grandes empresas explorarem a rede social. A Elma Chips aproveitou a comunidade “Eu quero Doritos 5kg” e fez uma ação com influenciadores e dando prêmios para quem adivinhasse quantas tortilhas tinham em um saco de 132kg de Doritos! A Melissa chamou algumas fotologgers famosas, entre elas a MariMoon, que depois virou VJ da MTV, para uma campanha!

Começamos a ver os primeiros grandes caras do digital: Interney, Cardoso, Inagaki

Começaram também as primeiras grandes crises no digital. O consumidor começou a perceber que tem voz. E começou a criar sites, vídeos e outros para expor sua insatisfação com as marcas – a Brastemp, a Renault, Arezzo e Twix foram casos clássicos.

E aí surgiu uma nova profissão: o analista de mídias sociais. Aquele responsável por manter o conteúdo e as conversas nas comunidades no Orkut. Aquele que teve que aprender a passar uma mensagem em 140 caracteres no Twitter no começo de 2009. Aquele que tinha que se virar pra entender o Facebook antes de todos os outros brasileiros.

Hoje, assim como o mercado, esse profissional evoluiu – e muito! Não dá pra achar que, se você é bom pra criar memes, isso é suficiente para trabalhar na área.

O marketing digital se dividiu em tantas especialidades diferentes que grandes marcas e agências querem cada vez mais o perfil especialista. O especialista em gerir comunidades, o especialista em conteúdo, o especialista em social ads, o especialista em métricas, o especialista em análise de dados, em planejamento, em UX, sem falar nas sub-áreas e especialidades de desenvolvimento e design.

 

Mas então, o que um analista de mídias sociais hoje precisa saber? Como é o perfil desse cara que as empresas procuram?

Começo pelas características levantadas pelo meu ex-chefe, Hélio Basso, hoje um dos sócios do Reclame Aqui. Neste artigo no Webinsider, ele fez uma descrição muito boa sobre os desafios e pré-requisitos da profissão. Abaixo, explico os pontos e atualizo algumas informações com relação à atuação na profissão HOJE, em 2018.

É preciso conhecer:

 

Planejamento e Estratégia

Entender quem é o público-alvo (e hoje, mais ainda, a buyer persona – assunto para outro post) do cliente e pensar em qual é a melhor forma de passar a mensagem para este público, tornando o produto ou serviço do cliente mais “humano”, criando interatividade, confiança, engajamento. É importante levar em consideração a jornada de compra do cliente, em que momento ele está em relação à marca – e planejar para cada fase dessa jornada (imagem abaixo).

 

Conhecer as ferramentas de trás pra frente e de frente pra trás! Mas…

Todo dia tem funcionalidades novas! Sim, TODOS OS DIAS! Então também é preciso saber onde buscar essas informações de lançamentos, ler muito, participar de grupos e acessar sites e blogs da área, recorrer ao YouTube e ao Google pra aprender mais e mais!

Para aprender do começo, de uma forma mais estruturada, existem muitos cursos bons por aí. Alguns deles:

Chega a ser engraçado: todas as turmas que eu dou aula ou mesmo empresas em que faço treinamentos chegam esperando um passo a passo. Algo assim: primeiro você clica aqui, depois você preenche isso, aí confirma esse campo e dá o ok!

Só que se eu fizer isso, é questão de DIAS para essas pessoas não saberem mais como fazer. Facebook, Google Adwords, Google Analytics, YouTube, todos eles tiveram grandes transformações em 2017. Então, o que o profissional precisa saber é COMO SE VIRAR. É a lógica por trás das ferramentas, para que consiga dar seus passos sozinho toda vez que der a louca no Zuckerberg.

Para se manter atualizado, indico alguns grupos, sites e profissionais abaixo:

Além disso, o analista de mídias sociais precisa entender como adequar o perfil do cliente e do público-alvo a cada plataforma, e também ser capaz de interpretar campanhas offline do cliente, levando-as para as mídias sociais.

 

Entender de comportamento e ter bom relacionamento pessoal

Cada vez mais, o perfil de “community manager” é exigido. Aquela pessoa que consegue não apenas compartilhar conteúdo, mas estimular que um grupo de pessoas interaja entre si, construindo relacionamentos significativos da marca com seu público-alvo.

Esse profissional também vai precisar ter jogo de cintura para lidar com elogios, reclamações, sugestões e críticas, entendendo o negócio do cliente e “traduzindo” para a linguagem das pessoas comuns. Um exemplo: muita gente gosta de vinho, mas não entende esse universo. E essas pessoas têm curiosidade em aprender. É o papel do analista de mídias sociais traduzir esse mundo por meio de conteúdos relevantes e do relacionamento com o público.

 

Antes mesmo de Marketing Digital, é preciso entender de Marketing e de Comunicação!

Vá lá ler os livros do Philip Kotler! Já! Entender os fundamentos de Marketing, de comportamento de consumo, de produto, de disponibilidade, de posicionamento, de diferencial competitivo, e tantos outros conceitos essenciais para um bom trabalho na área.

Você vai precisar entender de Comunicação, de Branding, de Gestão de Crises, de Planejamento de Mídia, de estratégia, objetivos de negócio, e como fazer com que a presença digital da marca esteja alinhada com tudo isso.

Precisa entender o comportamento do público, e saber conversar na linguagem dele. Não gosta de Star Wars ou de Game of Thrones? Não precisa gostar, mas precisa conhecer o universo porque isso já faz parte da cultura pop!

 

Outras características

Ter boa comunicação oral e escrita, criatividade, proatividade, entender inglês (pelo menos a leitura) vontade de aprender, de “fuçar”, saber pesquisar no Google e no YouTube por informações e tutoriais que irão te ajudar no dia a dia… Tudo isso faz diferença nesse profissional!

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Além disso, mete a mão na massa!

Que tal criar um blog pra você? Ou um canal no YouTube? Escolha um tema que você gosta e comece a escrever, a entender como funciona na prática publicar e divulgar conteúdos. Talvez esse tema pode ser até o que você está estudando. Por exemplo: leu nesse artigo sobre a Jornada de Compra? Pesquise sobre o assunto e escreva um post ou grave um vídeo sobre o que aprendeu!

Eu comecei assim! Fuçando no HTML dos blogs na tentativa e erro. Buscando no Google a resposta para as dúvidas que eu tinha.

E se você fizer isso, principalmente se está no início da carreira, buscando um estágio ou um primeiro emprego, já ganha muitos pontos – mesmo quando não tem uma experiência de emprego anterior. Porque você já tem uma experiência PRÁTICA!

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Por último…

…deixo exatamente o que o Hélio disse no final de seu artigo. “Existem vagas e especialidades para programadores, designers, antropólogos, pedagogos, estatísticos, psicólogos…”. Sim, um analista de Business Intelligence ou até de E-mail Marketing precisa entender de estatística, de análise de dados… Um analista de SEO (Otimização para Mecanismos de Busca) precisa entender de textos, mas também de técnicas específicas dentro do site para fazer com que ele suba no ranking do Google e do Bing, por exemplo. Google Adwords, Analytics, Facebook Ads, Mobile, todas essas já são consideradas hoje especialidades em si.

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Um P.S.:

Eu sei que é muita coisa, mas não se desespere! Não fique ansioso, querendo dominar e aprender tudo! Por ser muito dinâmico, o marketing digital exige sim atualização e estudo constante, mas você NÃO VAI dominar todas as áreas. Seja um profissional em forma de T: tenha um conhecimento raso sobre vários temas (o horizontal), mas foque em ter um conhecimento aprofundado em uma especialidade (o vertical).

E pratique! Nenhum curso irá fazer milagre se você não colocar em prática o que aprendeu! Combinado? 🙂

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Diana Pádua é consultora especialista em Marketing Digital e professora no MBA em Comunicação e Marketing da UVV – Universidade Vila Velha e nos cursos de Marketing Digital da FEST – UFES. Atuou com consultoria de Mídias Sociais para a Nissan Motor Company, em Curitiba/PR. Também trabalhou em campanha eleitoral de Senador e Presidente (2010), em São Paulo-SP. Trabalhou com mídias sociais e comunicação interna na Wine.com.br durante 4 anos, onde também participou do lançamento da primeira loja de vinhos dentro do Facebook do mundo, a Wine F-Store, em 2011.

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